Dr. Ramiro Gialuisi
Existem cinco possibilidades de se fazer
a anticoncepção da mulher:
Reversíveis
1-tabela de dias férteis
2-métodos de barreira
3-dispositivos intrauterinos
4-uso de medicações hormonais
Irreversível
5-laquedura tubária
Tabela de dias
férteis
A mulher ovula uma vez por mês e esta
ovulação se dá teoricamente
no décimo quarto dia do ciclo.
Se considerarmos que os espermatozóides,
após serem depositados na vagina,
têm uma vida média de 12 a
24 horas e que o óvulo, após
ser captado pela trompa, estaria disponível
no útero por cerca de 24 horas, a
mulher seria fértil apenas 24 a 48
horas por ciclo.
Desta forma se a ovulação
ser der no décimo quarto dia do ciclo,
o que seria a regra precisa em um ciclo
padrão, teríamos fertilidade
apenas do décimo segundo ao décimo
sexto dia do ciclo.
Contudo, a ovulação nem sempre
ocorre com tal precisão, o que faz
com que a tabela seja restrita apenas a
estes dias, o que leva a uma falha de cerca
de 30%. Isto porque a ovulação
pode ocorrer em qualquer dia do ciclo, inclusive,
excepcionalmente, durante a menstruação.
Em razão desta variação
do dia da ovulação, sugere-se
uma “tabela de segurança”
que seria estatísticamente mais adequada:
permitir relação sexual do
primeiro ao sétimo dia do ciclo,
considerando o primeiro dia do ciclo o primeiro
dia de sangramento menstrual, e do vigésimo
ao vigésimo sétimo dia do
ciclo, lembrando que quanto mais próximo
do décimo quarto dia do ciclo maior
é o risco de fecundação.
Métodos
de barreira
Chamam-se métodos de barreira aqueles
que evitam a gravidez impedindo o encontro
dos espermatozoides com o óvulo na
vagina.
Os principais são:
- Geleias anticoncepcionais, que, por serem
ácidas, matam os espermatozoides.
Terão que ser usadas imediatamente
antes do início de cada ato sexual.
- Condom, a chamada camisinha masculina.
- Diafragma, usado pela mulher junto com
geleia anticoncepcional.
Colocado cerca de 1 hora antes de iniciar
o ato sexual e retirado após 24 horas.
- A camisa feminina, usada pela mulher antes
de iniciar o ato sexual
Estes são métodos que exigem
correta aplicação para serem
eficientes, necessitando um bom entrosamento
do casal.
Dispositivos intrauterinos
(DIU)
Os dispositivos intrauterinos são
artefatos feitos de plásticos inertes,
geralmente silicone, de vários formatos,
que são colocados dentro do útero.
Dependendo do tipo podem permanecer de 3
a 5 anos dentro do útero.
O mecanismo de ação seria
explicado pela reação do endométrio,
tecido interno do útero, que se tornaria
hostil ao espermatozoide, ou pelo impedimento
da fixação no útero
de um ôvo fecundado.
Existem DIUs com envoltório de cobre,
metal este que continuamente libera ions
cobre, que são letais para os espermatozoides,
potencializando assim a reação
endometrial..
Existe também um tipo de DIU medicado
com hormônio, o que dá mais
eficiência ao método –
ação local+ação
hormonal.
Como principais efeitos colaterais temos
as cólicas, sangramentos intermenstruais,
sangramentos menstruais mais volumosos e
possibilidade de infecções.
Exige acompanhamento médico permanente
e tem falha de apenas 0.8%.
A maioria das mulheres se adapta bem, com
nenhum ou mínimos efeitos colaterais.
Tem a vantagem de não interferir
no metabolismo hormonal.
Medicações
hormonais
As medicações hormonais baseiam-se
no bloqueio da ovulação pela
administração de hormônios
por diferentes vias: orais, transdérmicos,
injetáveis e implantes.
É o método de menor índice
de falha, cerca de 0.2%.
Como efeitos colaterais mais frequentes
temos ganho de pêso, nauseas, sangramento
uterino intermenstrual, aumentos das varicosidades
de membros inferiores, aumento da coagulação
sanguinea.
Os efeitos colaterais são extremamente
variáveis de mulher para mulher ,
desde ausentes até intensos, obrigando
muitas vezes a interrupção.
As medicações orais são
as mais usadas pela praticidade e menores
efeitos colaterais, principalmente os chamados
de última geração.
Um grupo de anticoncepcionais orais são
de uso contínuo, suspendendo o sangramento
menstrual enquanto usados.
São muito úteis para evitar
a tensão pré menstrual, as
cólicas menstruais e o desconforto
mensal de usar absorventes.
Estudos demonstram que a supressão
da menstruação por longo período
não traz risco para a saúde
feminina, voltando tudo ao normal após
suspensão do medicamento.
Os anticoncepcionais transdérmicos
são apresentados na forma de adesivos,
que são trocados a cada 7 dias.
Os anticoncepcionais injetáveis podem
ser administrados mensal ou trimestralmente.
Os implantes são pequenos e finos
tubos de hormônio inseridos no tecido
subcutâneo, na face interna do braço,
que tem efeito anticoncepcional por 3 anos.
Laqueadura tubária
A laqueadura tubária consiste na
ligadura das trompas, o que impede o óvulo
de chegar ao útero.
É método cirúrgico,
em princípio irreversível,
sendo portanto um tratamento que exige considerar
todas as consequencias antes de se decidir
adotá-lo.
A recanalização das trompas,
também por intervenção
cirúrgica, tem sucesso em apenas
cerca de 30% dos casos.
Pelo exposto, verifica-se que as possibilidades
de anticoncepção são
diversas, cada uma com vantagens e desvantagens,
maior ou menor eficiência.
Caberá ao médico escolher
o método que melhor se adapte à
paciente, após uma discussão
ampla e clara do custo-benefício
do método, para que não reste
nenhuma dúvida sobre o tratamento
proposto.