Leila
Considerada a musa do vôlei nacional,
Leila Gomes de Barros, 29 anos, tem 1,79
de altura. Natural de Brasília, a
jogadora se firmou profissionalmente na
equipe mineira Minas Tênis Clube.
Junto com Guga, foi considerada a melhor
atleta de 2000. Atualmente joga no Flamengo
e está competindo na Superliga Feminina
de Vôlei.
Qual
a sensação de ser eleita a
melhor atleta do ano 2000?
Foi uma sensação incrível,
pois foi um ano de muitas batalhas pessoais.
Até a Olimpíada eu oscilei
bastante por causa da alta performance exigida
na competição. Foi um ano
muito desgastante, mas compensador, pois
eu amadureci muito.
Como é sua
alimentação durante uma competição?
Nas férias você mantém
a mesma dieta?
Como muito carboidrato - pão e massas
- além de saladas, carne branca e
complemento alimentar, como aminoácidos.
Nas férias eu alterno muito. No ano
passado, ano olímpico, me controlei,
praticamente não comi doce, só
me alimentei com carne grelhada. Mas quando
eu posso começar o ano meio gordinha,
"chuto o balde", como picanha,
churrasco,...
Os campeonatos
nacionais e estaduais exigem o mesmo preparo
e treino de uma competição
internacional, como uma Olimpíada
por exemplo?
Os objetivos são diferentes, e cada
um tem seu valor. Olimpíada é
um marco, carregar uma bandeira é
muita emoção, tem toda uma
mística. Mas sou muito cobrada no
Flamengo porque jogo num clube de massa.
A responsabilidade é a mesma, o que
muda é a mística.
O que usa no dia
a dia para se cuidar?
Eu me cuido muito. Passo filtro solar, tonifico
e hidrato a pele do rosto todo todos os
dias, uso creme para os olhos, creme anticelulite,
faço as unhas toda semana. É
legal manter esta posição
feminina, e foi um hábito que aprendi
com minha mãe. É uma coisa
que eu cultivo de berço.
A decisão
de parar de jogar em 2002 é pra valer?
Estão aparecendo vários projetos
interessantes. Mas eu não sou uma
pessoa sozinha, tenho uma relação
de dez anos e eu e meu marido decidimos
tentar ter um filho em 2002. Até
agora não apareceu nenhum projeto
que me mobilizasse. Pretendo jogar mais
uma temporada e, em abril de 2002, tentar
engravidar. Sempre falo que a maternidade
vai ser minha medalha de ouro.
Por ser uma atleta,
você tem que fazer exames médicos
periódicos? Quais?
Faço exames médicos duas ou
três vezes ao ano. Quando me apresento
à seleção no meio do
ano, faço exames odontológico,
ginecológico, cardiológico,
os de sangue e hemograma completo. E quando
entrei no Flamengo este ano também
fiz.
Para você,
qual a atividade ideal - física ou
mental - para manter uma boa qualidade de
vida?
Ouço música de relaxamento.
Todos os dias eu preciso de dez a quinze
minutos para observar e pensar na minha
vida. Pretendo entrar na Yoga na próxima
semana. Estou com necessidade de dar um
tempo, estar em contato com a natureza.
Li sobre meditação e me interessei.
Vou estudar com um instrutor para ver se
a Yoga se encaixa com meu perfil.
Como você
concilia sua vida profissional com a amorosa?
Tenho o companheiro ideal. Minha mãe
fala que fizeram a fôrma e jogaram
fora. Durante dois anos, quando eu estava
jogando pelo país, ele ia me ver
todo fim de semana. E chegou uma hora que
isto desgastou, mas sou uma pessoa extremamente
tranqüila, transmito muita segurança
para ele e saio muito pouco.
Você está
satisfeita com sua carreira profissional
ou ainda pretende realizar algum sonho?
Tenho a sensação de dever
cumprido, principalmente na seleção.
Fui para a Olimpíada sabendo que
seria a última. Minha grande frustração
foi não ter chegado a uma final olímpica.
Até nos piores momentos, eu procurei
sempre me superar, e é isto que eu
levo dentro de mim: não as maiores
performances, e sim, as minhas vitórias
pessoais. Jogo com prazer, e o carinho das
pessoas é o maior presente do vôlei.